Política em 2018 (a ascensão do herói)

Bolsonabo

—O homem bem trajado dirige-se à portaria do prédio, onde cumprimenta uma mulher e informa ao controlador de acesso —­­tenho uma entrevista no quinto andar. Acesso liberado. O entrevistador o espera na sala à direita, informou a moça da recepção.

—Bom dia.

—Bom dia.

Sentou-se.

—Jair? Correto?

—Sim, sou eu mesmo.

—O senhor é candidato a vaga de super-herói?

—Sim.

—Jair, como você descobriu que tinha aptidão para esta área?

—Bom, eu sempre tive boa índole. Meus pais me deram uma educação severa, com ética, moral e valores tradicionais. E desde cedo percebi que o mundo fora de casa, é cheio de corrupção, promiscuidade e sujeira. Então, decidi ajudar as pessoas com meu genuíno bom-caratismo e a viralidade necessária para ser um super-herói.

—Quantos anos de experiência?

—Quase 30 anos…

—É um bom tempo…e quais os seus feitos nesse período?

—Bom…de efetivo, efetivo… nada. Mas eu tenho vários projetos e, caso eu assuma o cargo, à partir de amanhã mesmo, tudo será diferente.

—Ouvimos isso do Homem Aranha…o senhor assistiu à guerra infinita?

—Não, mas as políticas de segurança dele eram outras.

—Tudo bem. E quais os seus super poderes?

—Eu sou contra o estupro e, caso aconteça na minha gestão, vou trabalhar com o método de castração química.

—Ser contra o estupro não é um super poder. Em uma sociedade como a nossa, é um posicionamento dos mais primários.

—Bom, eu também sou a favor da família.

—Todos nós somos, senhor Jair.

—Todos, não. Hoje em dia há vários grupos querendo modificar a estrutura familiar e implementar a ditadura gay. Inclusive, já existe um projeto que visa substituir o aperto de mão por um beijo de língua, na ocasião de um cumprimento entre pessoas do mesmo sexo! Fora o kit gay nas escolas. Quando pensar que não, estarão tocando Lady Gaga para os nossos meninos durante o intervalo.

—A minha pergunta foi sobre os super poderes. A situação está deplorável e o povo clama por um herói.

—Poder…poder…tenho muitos!

—Quais?

—Ah…vários… aquele do Super Homem, por exemplo, aquele negócio que ele faz, eu sei… e aquele da…do…Lanterna Verde também.

—O senhor sabe que nós temos muitos problemas específicos por aqui, não sabe?

—Olha, tá ok! Eu já sei onde você quer chegar com esta conversa mole. Eu assumo minhas inabilidades em relação ao cargo, mas o que você está pensando? Eu não vou estar sozinho! Eu vou ficar no comando, mas contarei com o suporte dos meus amigos. Nego solta raio laser, fogo, choque, lê mentes…

—Tá. Desculpe a indiscrição, mas o senhor tem um ferimento aí no abdômen? O que aconteceu?

—Sofri um atentado! Eu estava na rua fazendo uma campanha junto a população e um bandido me acertou com uma faca!

—Foi o tal do Duende Verde?

—Não…

—Foi o Coringa? Deve ter sido aquele psicopata!

—Não, não! Foi o Adélio!

—Adélio? Não conheço… é de Gotham City?

—Juiz de Fora!

—Próximo!

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