Política em 2018 (a ascensão do herói) II

imagem final política em 2018 II

—Próximo!

—Por favor, senhor Fernando?

O homem parecia não ouvir ao chamado, então a recepcionista pediu à moça ao lado que o cutucasse. — Este? Apontou para um rapaz.

—Não! Esse aí de capa vermelha!

Muito educado, o homem se levantou, agradeceu e já foi logo perdoando a mulher da recepção por tê-lo chamado muito baixo e por conseguinte atrasar sua entrevista.

—Bom dia! Antes de começarmos a entrevista, eu tenho um pedido.

—Qual?

—Podemos ir para outra sala? Tem uma sala do outro lado que é bem mais arejada e aconchegante.

—A sala à esquerda? Mas está sem ar condicionado, os assentos são duros e a pintura está toda corrompida.

—Mesmo assim. Não estou me sentindo bem aqui.

—Como quiser!

Foram para a outra sala.

—Sr. Fernando, conte-me mais sobre seu interesse na área e como descobriu sua aptidão.

—Bom, eu aprendi tudo com o meu pai! Meu pai saiu do nada e conquistou um lugar de destaque! Diferente daquele tal burguês safado!

—Não entendi.

—O Batman!

—Compreendo. Mas quanto ao senhor?

—Eu acompanhei o papai em seus melhores anos! Aprendi muito! E acho muito justo o trono ficar na família.

—Bom, a família do senhor está sendo acusada de negligenciar a gestão e proteção da cidade. Enquanto permaneceram no poder, o caos se manteve aqui na Ilha de Vera Cruz! Isto me leva a outra pergunta: por que agora seria diferente?

—Mas a culpa  de tudo isso não é nossa! Veja bem, olha só.

—Ok. Qual o seu super poder?

—Sabe que outro dia perguntaram isso para um homem, um homem que tinha um sonho! Quando…––Mas eu estou falando do senhor. Candidato, isso não é uma brincadeira! A Ilha de Vera Cruz está se ruindo! O povo quer uma solução e quer agora!

—Tá! Super poder.  Justo. A vaga é para super-herói. Eu preciso ser sincero: nem queria muito estar aqui, quem me mandou foi o papai! Ele não pode vir esse ano.

—O que aconteceu?

—Ah, problemas pessoais. Ele falou alguma coisa sobre estar preso.

—Preso?

—É! Intestino preso, algo do tipo.

—E qual a experiência do senhor na área?

—Papai têm mais de trinta anos de história aí, na luta, na batalha.

—O que você pretende fazer para sanar os problemas atuais?

—Só um minuto!

Mexeu em um dos bolsos da calça, futucou o outro. Com o celular em mãos, olhou para o entrevistador e disse: ­­—O senhor pode repetir a pergunta? Papai deve estar online, eu te respondo em um minuto!

—Próximo!

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